06 Nov

125 anos de IEEE

Relembrando os Primeiros Dias

Ninguém sobrou, é claro, para se lembrar dos dias quando a sociedade predecessora do IEEE, o Instituto Americano dos Engenheiros Eletricistas, foi formado 125 anos atrás em 1884. Mas alguns membros se lembram de quando o IEEE foi formado em janeiro de 1963, pela fusão do AIEE com o Instituto dos Engenheiros de Rádio (IRE).

Antecipando o aniversário, nós mandamos e-mail para os membros há alguns meses, pedindo para eles nos dizerem sobre um pai ou avô que já pertenceu ao AIEE. Pais e avôs provaram serem os alvos errados, porque nós recebemos dúzias de respostas de antigos membros do AIEE e do IRE, como C. B. Young, que nos disse, “Acredite ou não, alguns de nós ainda estamos por perto”. É bom para o resto de nós que eles estejam disponíveis para oferecer perspectivas nas mudanças que estão acontecendo na profissão da engenharia. Aqui estão três das suas histórias.

C. B. Young, Membro Senior, 82

Na época da fusão, Young trabalhava para a Western Union em uma equipe que colocava um sistema de microondas transcontinental com torres de retransmissão a cada 30 a 60 quilômetros, dependendo da geografia. Retransmissão de microondas era necessária porque a Western Union ainda oferecia serviço de telegramas, mais o empréstimo de redes de dados e de voz, e a linha aumentou dramaticamente a capacidade de transmissão da companhia. Young se lembra que praticamente tudo que era eletrônico tinha tubos de vácuo, e através disso havia alguns transistores em equipamento de comunicação auxiliar usados por pessoas da manutenção. Ele não se lembra de quanto dado era tipicamente enviado pelo link, mas ele diz que eram transferidos dados em 600 canais de dupla comunicação, cada um com uma velocidade de transmissão de 2400 baud. O primeiro link de microondas da Western Union, instalado em 1947, tinha apenas 16 canais. Alguns desses sistemas de microondas ainda estavam operando no final de 1980, diz Young.

Ele se lembra de como ele lidou com a transição para a era do computador. “ Há algum tempo, em 1948, eu estava desenvolvendo componentes de microondas tais como guias de ondas e magnetrons”, ele diz. Quando os computadores começaram a substituir o equipamento de comunicação eletromecânico, ele de repente de encontrou responsável por um grupo desenvolvendo um sistema de troca de mensagens controlado por computador – “e eu não sabia diferenciar um computador de outro”, ele diz.

Como ele aprendeu sobre a nova tecnologia para evitar ser visto como um dinossauro? A sua esposa tinha acabado de entrar num curso de graduação na Universidade de Rutgers numa sociedade com a Fundação Ford, que estava encorajando mulheres à matemática. “Eu consegui que ela se candidatasse a alguns cursos de computador, e eu ajudei ela com sua tarefa e ia com ela à noite ao laboratório de computação”, diz Young. “Foi assim que eu aprendi o básico de computador e programação”.

Para aprender o que estava acontecendo na Western Union, ele ia ao laboratório de desenvolvimento da companhia nas sextas à noite. “Eu conheci as pessoas que comandavam o laboratório e eles me deixavam brincar com o hardware”, ele diz. “Assim eu consegui colocar minhas mãos na massa e ganhar experiência”. Eventualmente ele ganhou suas próprias credenciais de computador, graduando no Instituto de Tecnologia Stevens em Hoboken, N.J., em 1980 com diploma de mestre em ciência da computação.

Robert N. Beatie, Membro, 75

Em 1963, Beatie trabalhava para a Develco, uma pequena organização aeroespacial, fazendo pesquisas para instrumentação de satélites para a marinha americana. “Nós estávamos pesquisando propagação à rádio, tentando melhorar links de comunicação dupla entre satélites e a terra e links de uma direção de satélites a submarinos”, ele recorda. Porque alguns desses projetos ainda são confidenciais, Beatie não entrará em detalhes. Mas ele nota que não existiam links de direção dupla entre satélites e submarinos porque é difícil transmitir debaixo da água. Naquela era de guerra fria, havia o perigo de que quebrando a superfície com algo tão pequeno quanto uma antena poderia entregar a posição de um submarino nuclear. O submarino poderia receber sinais de baixa freqüência enquanto ainda estava alguns metros embaixo d’água, diz Beatie.

Beatie nota que ele e seus colegas ficaram todos surpresos pela “rapidez das mudanças em termos de ir dos tubos de vácuo aos transistores, aos circuitos integrados e então aos microprocessadores, e o rápido desenvolvimento do software, que hoje é mais proeminente do que o hardware”. Beatie foi trabalhar para a Hewlett-Packard como técnico de laboratório e se lembra que na HP o engenheiro-chefe disse um dia para ele, “Bob, aqueles tubos de miniatura nunca substituirão tubos originais”.

Mas nem tudo tinha mudado, Beatie nota. A profissão do engenheiro “ainda é o que sempre foi – uma abordagem disciplinada a resolução de problemas”, ele diz. Mas o desenvolvimento de produtos e serviços se tornou mais um esforço em equipe, ele acrescenta.

Richard M. Smith, Membro, 68

Quando o IEEE foi formado, Smith estava no exército americano em dever ativo na Coréia. “Eu estava trabalhando com sistemas de míssil usando tubos de vácuo do tipo de amendoim, mais de um ponto de vista operacional do que de um desenvolvedor”, ele diz. Ele não começou a desenvolver eletrônicos para o exército até 10 ou 12 anos depois. “Eu me lembro de construir um receptor stereo em 1963 usando grandes partes e peças de transistores, capacitores, indutores, a daí em diante”, ele diz. Não tinha nada a ver com o seu trabalho, mas era um bom jeito de passar o tempo: “ Eu tinha 22 anos. E isso era simplesmente alguma coisa pra fazer na Coréia. Nós não tínhamos televisão, a única coisa que tínhamos era o Rádio das Forças Armadas”.

Ele diz que ele estava constantemente em modo de aprendizado: “Naquela época, engenheiros tinham que saber mais sobre como tudo funcionava do que dizer ‘Oh, sim. Vamos ligar nessa tela, ela fará tudo que nós precisamos fazer’”.

Ele se lembra de participar do que foi chamado Programa do Cadete Engenheiro: “A companhia de energia pegou os jovens graduados em engenharia – mecânica e elétrica – e nos colocou em sua usina. Em alguns meses, nós passamos tempo lidando com cada aspecto da companhia. Isso forneceu uma base sólida para fazer o trabalho que tínhamos que fazer eventualmente.”

Perguntado como a engenharia mudou desde 1960, Smith notou que muitos dos engenheiros de computação de hoje “só usam uma abordagem de ligar-e-começar para projetar algo.” Ele admite que a mudança é parte do progresso normal de um campo técnico. Mas ele avisa, “Você ainda precisa ter algumas pessoas que provavelmente não sabem prender um aparelho e fazê-lo funcionar, mas pode te dizer com muitos detalhes como um aspecto do aparelho foi projetado e como ele funciona – se você tiver isso, a habilidade não está perdida”.

Leave a Reply